Psicologia e judicialização

02/06/2011 § Deixe um comentário

Dentro do contexto de judicialização, no qual práticas punitivas passam a ser comuns em nosso cotidiano, a psicologia torna-se um aparato de correção auxiliando no controle penal, assim como a polícia, a medicina, a pedagogia, dentre outras instituições que também assumiram esse papel de impor padrões e regras de comportamento.

A instauração desse sistema de disciplina, vigilância e punição foi tão forte em nossa sociedade que seus sujeitos passam a desempenhar tais papeis consigo e com os outros, ao não tomar atitudes inadequadas com medo do julgamento alheio e ao observar o comportamento do outro para que ele também não o faça. O próprio Estado, na atualidade neoliberal, passa a desempenhar uma função policial, se limitando ao controle e segurança, a medida que se submete ao privatizado, o qual se encarrega das funções sociais.

Dessa forma, o medo e a intolerância são ações frequentemente desempenhadas por nós, que não aceitamos o erro dos outros e clamamos pela punição, e que não arriscamos um desvio pequeno que seja do padrão por temer julgamentos e olhares.

É a partir do alto desenvolvimento do campo jurídico que a psicologia se uniu ao direito utilizando os testes psicológicos como principal ferramenta para auxiliar no julgamento ao avaliar o testemunho e os possíveis comportamentos do sujeito. Sendo, contudo, submissa a ele, uma vez que o papel de aceitar ou não o resultado do teste sobre a personalidade do individuo caberia ao judiciário.

A culpabilização individual do infrator se tornou uma forma banal de resolver a questão que chega ao judiciário, ele é visto como anormal, detentor de algum problema proveniente provavelmente de sua historia de vida ou, mais precisamente da estrutura de sua família, sendo ignorado o fato de existirem falhas sócio-políticas que proporcionam uma serie de fatores desencadeadores da criminalidade e que contribuíram na formação de toda essa demanda judicial.

Devemos ver o papel da psicologia jurídica num âmbito transdisciplinar, sendo complementar ao direito ao invés de subordinada a ele, produzindo diálogos à medida que deixa de buscar a culpa no individuo e passa a pensar as relações humanas como produtoras de subjetividade, podendo interferir nas causas e conseqüências das ações individuais.

A psicologia deve ir alem das barreiras do direito, não se limitando a rotular, culpar, punir, diagnosticar, “prever” comportamentos. Em sua nova forma de atuação, ela vem trazendo outros olhares não pensando, por exemplo, em simplesmente punir, mas quais as implicações da punição na vida da pessoa, orientando cada caso e produzindo novas formas de ser e agir, rompendo com as anteriormente construídas.

A psicologia no estado penal: possiblidades e estratégias para subverter a judicialização. (Bocco, Fernanda)

Revista do UNIPÊ, 12 (2), 2008. 31

Giovanna Marafon/UNIPÊ

Dávila Teresa de Galiza F. Pinheiro/UNIPÊ

Um pouco de poesialização da realidade

28/04/2011 § Deixe um comentário

O peso, o preço e o Corpo

(José Agostinho Correia Junior)


O peso de carregar as demandas da sociedade adoece, cansa o indivíduo.
O peso da exclusão dói, esmaga…
O preço que se paga pelo que não se tem é alto
O preço que se paga pelo direito à vida é caro.
O corpo mutilado pela vida e pelo cansaço, grita
O corpo atirado no chão agoniza
O ouro que tanto se busca nada vale
O suor e o trabalho vale muito
O ouro que inclui, também exclui
O ouro que brilha, também mostra a escuridão
O corpo que é dócil, maltrata a si mesmo
A sociedade que o produz, também o renega…
Afinal, é só mais um corpo que precisa viver, produzir e morrer…
Esse corpo pode criar
Pode resistir
Pode intervir
E se inventar

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